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13/03/2004 02:38
Óculos escuros, bermuda de cor berrante, muita fotografia tirada do fim de semana feliz na praia. Sorriso e músculos de horas em academia, Internet: "vc tem foto?", "oi! tc d ond?", é do tipo que adora mandar uma foto. Fotos em que está com os óculos escuros, braços cruzados pra salientar os músculos, de camisa regata e boné de cores vivas. "Ah, eu sei que sou bonito!".
Hahahaha!, um riso nada convincente, sem perder a postura como lhe foi ensinado. Sorriso fixo no rosto, a voz com uma entonação leve e simpática. Hahahaha! Todos riem aquela risada nada convincente, mas eles fingem estar gostando muito de tudo aquilo, para os outros e para si mesmos. Já não sabem o que é verdade, vivem em um mundo falso, cheio de etiqueta, falas, risos e sorrisos superficiais.
Quando vejo pessoas assim, tanto do primeiro quanto do segundo parágrafo, sinto bastante raiva. E sei quando é inveja, sei bem admitir pra mim quando invejo, mas o que sinto é mesmo desprezo. Será que são mais felizes? Se o são, prefiro ser triste. Mas será que são mesmo felizes? Nem eles sabem, eles nunca pararam pra se perguntar, eles apenas riem de tudo e de todos e isso contagia. As pessoas do segundo parágrafo, só sabem que aquilo é certo. É certo assim, não importa se é superficial, eles nunca pararam pra pensar sobre isso.
Ainda estou consciente das coisas e do que sou e porque faço, não fecharia os olhos e apenas dançaria a música que está tocando porque seria agradável para todos e para mim. Ainda me sinto curiosa pra saber o porquê de tudo isso e não danço música nenhuma, pois não vejo necessidade nisso.
Posso desprezá-los, mas eu desprezaria a mim mesma mais ainda se achasse que eu estou certa e eles estão errados. Não há certo ou errado, é uma questão de escolha de vida. Quem é mais inteligente? Por que achar que sou mais que eles? Sim, sou consciente, mas isso quer dizer alguma coisa? Acho que se eles ficassem deprimidos, talvez se questionassem sobre si mesmos, mas não estão, e por isso continuam sem pensar mais profundamente. Acho que a única diferença é que eu sou doente e eles não, então certamente eles são mais inteligentes do que eu. Ainda assim os desprezo. Não quero ser como eles.
Ser superficial é estar na superfície, é estar acima, é estar "pra cima", contente. Ser profundo é estar submerso, é perder o colorido, estar descontente... Não importa. Pois eu consigo ser feliz do meu jeito assim mesmo.
As pessoas que descrevi... Número um, meu irmão. Inteligente até, bem inteligente, mas tem dessas características que considero um defeito e que desprezo. Número dois: Sandy, Junior e Sara (?h), apresentadora da MTV. Os três juntos me deram um calafrio. Não existem pessoas no mundo mais dissimuladas e superficiais. O riso deles soava tão falso, o jeito deles era tão dissimulado que me enojou. E até acho a Sandy bonita e deve ser boa pessoa, mas afora isso, muito superficial e dissimulada.
Eram pessoas assim que iam lá na loja de Surf em que trabalhei, das primeiras pessoas que descrevi. A dona e a mãe dela, gerente, todas ali arrogantes demais, esnobes demais. Uma pessoa gananciosa e metida a rica é esnobe, alguém que é realmente rico não é assim... Eu acho, pois foi o que disse quando tirei uma boa nota no Enem, se eu fosse mesmo inteligente, não ficaria tão contente por isso. E lá era assim, acho que aquilo era o que me deprimia, passar horas com pessoas daquelas, torcendo para que saíssem e eu pudesse ligar o som, daí colocava o cd da Malhação que tinha lá e fazia tocar a única música que prestava no cd: Send the Pain Below - Chevelle. Desde o primeiro momento em que ouvi essa música fiquei fascinada, isso não costuma acontecer. Só Adagio fos Strings foi assim também. Nem Change, que eu falo tanto, foi um gosto tão instantâneo. E eu não podia pôr música com as pessoas lá, a velhinha sempre reclamava, ela reclamava se sentássemos, mesmo não tendo nada pra fazer na loja. Foi realmente um dia feliz quando ela caiu da escada, na casa dela, e faltou. Seria ótimo que tivesse caído da escada todos os dias em que trabalhei lá, assim ficaria livre da arrogância insuportável dela, que expulsou minha amiga da loja só por ser negra. E a filha da velha, uma loira de enormes seios suspeitos, sempre expostos por um decote gigante, cabelos obviamente tão falsos quanto todo o resto do corpo, sempre trocando roupas, comprando roupa, fazendo as unhas. Fresca demaaais, e a filhinha dela igualzinha, tentando imitar a mãe e a avó, sendo superficial, esnobe e fresca ao máximo, mas ela até que era engraçada, pois era um tipo de caricatura das duas, fazia destacar todos os podres delas.
E até que sou bem tolerante, sempre tento ver a qualidade das pessoas primeiro. Como meu irmão, por mais chatas que sejam algumas coisas nele, ainda assim eu o acho inteligente e simpático. E sempre tento gostar das pessoas. Meu meio-irmão, que eu disse por aqui que eu odeio, até que é boa pessoa de vez em quando e gosto dele. Nessa porção de pessoas que falei, todas elas eu tentei gostar, mas depois elas me provaram serem pessoas de caráter falho.
Só não quero que fiquem com medo de mim, achando que qualquer coisa que digam pode fazer com que eu odeie vocês, ocorre mais o contrário, eu é que tenho medo que vocês me odeiem, porque tenho um milhão de defeitos e sei que todo mundo tem, por isso tento ser sempre tolerante a isso. E eu sempre tento dar uma nova chance a tudo. Eu não gostava de feijão e agora como, eu não gostava de bolacha e agora adoro... E isso é igual no que se refere sobre meu relacionamento com as pessoas.
Sei que o que escrevi está bem bagunçado, mas decidi não preocupar mais com isso. A arte é livre... Acho que escrever é uma arte, é o que dizem, e o que é livre não tem regras, não seguirei muitas regras para escrever, acho que tudo fica mais autêntico e bonito quando a gente põe tudo do jeito que é e do jeito que passou na cabeça, como n'O Apanhador no Campo de Centeio.
enviada por Marcely
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